No dia seguinte, saímos das Missões em direção a São Borja para nossa clássica visita aos parentes. É claro que o plano de seguir viagem as 11h não funcionou… Acabamos ficando pro almoço na casa de uma prima do meu pai e saímos de lá passado das 15h. O tempo começou a virar e logo uma nuvem de chuva se aproximou da cidade, bem na hora de sairmos. Cruzamos tranquilamente a fronteira em Santo Tomé. A aduana foi rápida e sem muitos problemas.
Seguimos em direção a Corrientes e Resistência. Esta última parecia uma cidade interessante, mas não tínhamos tempo. Na saída de Corrientes fomos abordados em um posto de polícia na saída da cidade por não estarmos com o farol ligado (é lei na Argentina e no Chile andar com farol ligado em rodovias, mesmo durante o dia). A polícia argentina nas províncias de Corrientes e Entre Ríos é muito famosa por abordar carros brasileiros e ameaçar multar por alguma irregularidade que eles inventam na hora (no caso eles estavam certos, mas nos parariam de qualquer forma). É comum, na Ruta 7, ser abordado algumas vezes e ter que pagar propina para os policias te liberarem. Sim, infelizmente isso é uma prática “normal”, as autoridades sabem, mas ninguém faz nada. Só nos resta pagar a propina e seguir viagem. Por esse motivo escolhemos pegar a Ruta 81 (e não a 7), apesar de alongar nosso percurso em uns 150km.
Presenciamos um fim de tarde lindo na Ruta 81 (foto que ilustra esse post) e logo quando começou a anoitecer, paramos em El Colorado, cidade de pouco mais de 14mil habitantes, na província de Formosa, Argentina. Felizmente chegamos bem na hora do temporal. Ficamos hospedados no Gitano Hotel (U$60 um quarto quádruplo). O lugar era bem simples, mas caro pelo o que oferecia. Jantamos uma chuleta com arroz que tava bem boa (argentinos sabem fazer carne). O quarto tinha ar condicionado, chuveiro a gás e wi-fi, pelo menos.
O café da manhã era bem ruim. Um suco muito artificial e algumas torradas secas com requeijão e geleia. O café com leite estava bom pelo menos… Seguimos viagem pela Ruta 81, que é uma reta sem fim. Sem nada. Animais na pista de vez em quando, é bom tomar cuidado. Há pouquíssimos postos de gasolina e nenhum aceita cartão de crédito, no máximo de débito ou pesos argentinos mesmo. Fomos abordados pela polícia rodoviária na intersecção da 81 com a 34. Foram super gentis conosco e até comentaram do chimarrão que a mãe estava tomando. A polícia de Formosa faz jus ao nome da província.
Chegamos em San Salvador de Jujuy no fim da tarde. A cidade em si não tem nada, mas é ponto de partida para a subida dos Andes e de outras atrações próximas. Ficamos hospedados na Hosteria Pascana, um lugar muito simpático e lindo. Decoração impecável e de muito bom-gosto, localizada num dos morros da cidade. GPS nos salvou dessa vez, pois o local estava catalogado no mapa que baixei. Nem o Google Maps conseguia encontrar o endereço. Novamente, difícil achar algum lugar para comer ou abastecer o carro que aceite cartão de crédito. Felizmente achamos um posto YPF que aceitava. Não é à toa que estava com muitas filas. Por sorte conseguimos tirar dinheiro num banco no centro para poder pagar a janta. Finalmente conseguimos chegar de novo no hotel para descansar, pois o dia seguinte seria o início real da viagem.







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