Apesar de dizerem que a estrada por Tarija estava melhor, novamente meu pai foi teimoso e resolveu ir por Tupiza. No fim das contas, a estrada estava boa, tirando algumas partes em reforma e muitas pedras soltas das encostas. Foi a escolha mais acertada, pois a região é linda e a rota mais curta saindo de Potosi. No entanto, passar a noite por esta estrada não é nada aconselhável por causa das pedras soltas. Tupiza é famosa pelos morros que cercam a cidade. São lindos mesmo. Há caminhadas e passeios por lá, mas não tínhamos mais tempo.
Logo passando Tupiza, paramos para tirar umas fotos em um pequeno túnel para pedestres e numa ponte. Lugar bem bacana e muito bonito. As estradas bolivianas, em geral, são cênicas.
Chegamos a fronteira Villazón / La Quiaca, por volta das 15h. Pra variar, é tudo uma confusão. Os trâmites são literalmente um zigue-zague. Tem que ir de um lado para outro. Para piorar, ao entrar na Argentina, é necessário passar TODAS as malas num raio-x. Sorte que não pediram pra revistar o bagageiro… Depois disso, ainda é preciso que eles dêem uma jateada nas rodas do carro com algum produto químico, contra bactérias. Mas a pegadinha é ter que pagar 30 pesos argentinos pelo “serviço”, sendo que ninguém avisa antes. Eles nem dão nenhum comprovante. Na realidade, achamos que é uma propina disfarçada. O jeitinho argentino.
Ao passar para o lado argentino, é notável a diferença com a Bolívia. As cidades já tem mais estrutura e menos pobreza aparente. Seguimos viagem em direção a Jujuy / Salta, ainda não tínhamos decidido onde parar. No meio do caminho passamos pela Quebrada de Humahuaca, uma região com montanhas coloridas muito bonitas. Apesar de já ser 20h e estarmos próximos a Jujuy, resolvemos seguir até Salta, pois eram “apenas” mais 140km e na vinda já havíamos parado em Jujuy. Só que havia dois caminhos até lá: um 30km mais longo, costeando o morro e outro mais curto, cortando o caminho pelo morro. Claro que o GPS indicou o mais longo, pois era uma estrada melhor, mas 30km a mais me pareceram muito…
Resolvemos ir pelo mais curto e, para nossa, surpresa, era uma estrada cênica. Só que já era de noite, não dava pra ver nada, subindo e descendo morro e uma vegetação densa e totalmente escura. Pra piorar, era muito sinuosa e a pista era mais estreita do que o normal. Fomos devagar e acabamos chegando às 23h em Salta. Outro problema foi achar um hotel. Não tínhamos reservado. Ficamos rodando pela cidade. Na área central havia hotéis 3 ou 4 estrelas de padrão muito elevado. Eram bons, mas caros. A maioria estava na faixa de 1100 pesos (aproximadamente R$360) para 4 pessoas. Achamos que não valia a pena pagar tudo isso só pra dormir e sair cedo no outro dia. Finalmente, encontramos o Hostal Cerritos por 770 pesos. Lugar decente, bem localizado e confortável. E aceitava cartão. Deixamos a Eco quase em frente, já não tinha garagem aberta, pois passava de meia noite e ainda fomos procurar algo para comer. Achamos uns sanduíches. Decidimos que não teria como sair tão cedo, já que fomos dormir quase as 2h. Então, daríamos uma volta por Salta pela manhã antes de seguir viagem.










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