No planejamento inicial, faríamos a travessia para Uyuni pelo deserto de Siloli (ou mais conhecido como Deserto da Bolívia). O problema foi que ouvimos que o tempo não estava muito firme na Bolívia. Havia chovido muito nos dias anteriores e seria recomendável um 4×4 para essa travessia. Perguntamos para várias pessoas (no mínimo umas 10; meu pai precisa ter certeza absoluta) e quase todos disseram que era uma má ideia. Nossa Ecosport 4×2 não aguentaria o tranco. Ele já tinha planejado para que fossemos por esse caminho, então seria muito difícil mudar o roteiro, já que ele continha uns dos cenários mais bonitos da viagem.
O pai não se convenceu e, teimoso como é, resolveu ir mesmo assim. Mesmo depois de todos os avisos. O dia amanheceu muito bonito, com poucas nuvens. Aparentemente não teria problema…
A aduana ficava atrás do nosso hostel. Era preciso fazer a saída do Chile ali mesmo, pois o posto que fica na fronteira, Hito-Cajón, faz apenas a entrada para a Bolívia. Chegamos cedo na aduana, por volta das 9h, mas mesmo assim esperamos quase 2h para sermos atendidos (havia muita fila e apenas um oficial).
Seguimos em direção à fronteira numa rodovia boa e asfaltada. Entretanto, a estrada que chega na Bolívia é de chão, mas por enquanto em boas condições. O posto fronteiriço não fica longe, mas o caminho não é muito claro. A aduana no Paso Fronteiriço Hito-Cajón foi tranquila. Depois disso, ainda passamos no controle da Reserva Eduardo Avaroa, onde é necessário pagar uma taxa de 50 bolivianos/pessoa. Após, adentramos no deserto de Siloli.
Primeiras paradas foram nas Lagunas Blanca e Verde. São lugares lindíssimos, compondo uma paisagem de laguna, deserto e montanhas. Adiante fomos para as Termas del Polques. Almoçamos no restaurante que havia ali. Fomos atendidos pelo povo local que mal entendia nosso péssimo portunhol. No fim, comemos uma comidinha bem simples, mas ok. A pegadinha foi ter que pagar pela mesa, mas ninguém avisou antes. Depois, eu e meu pai resolvemos tomar um banho na piscina natural térmica. A temperatura da água era de uns 40°C. Custava 3 bolivianos por pessoa (pouco mais de R$1). Não ficamos muito, mas foi bom para relaxar.
Após, fomos em direção à Laguna Colorada, um dos mais belos cartões postais do deserto e diria, de toda nossa expedição. Apesar de o GPS indicar um caminho, acabamos indo por nossa conta (meu pai tem dificuldades para acreditar na Carminha, apelido carinhoso do nosso GPS). Chegamos numa estrada com uma cancela, numa pequena mina de ácido bórico, imagina só. Demos meia-volta e resolvemos obedecer a Carminha. Nesse momento, atingimos o ponto mais alto de toda nossa viagem, 5.121m de altitude, incrível!!!
No fim da tarde chegamos nos alojamentos da Laguna Colorada, que fica a 4.400m de altitude. O lugar era simples, perdido no meio do deserto. Todas as excursões param ali para passar a noite ou em outros alojamentos alguns km adiante. Pagamos 30 bolivianos por cada cama mais 20 por pessoa pela janta. Felizmente estava ótima. Por ser um local muito precário, a energia elétrica é escassa. Achei incrível o fato de haver placas solares num lugar tão inóspito. Havia até uma lojinha que vendia produtos higiênicos, bebidas, guloseimas e roupas típicas. Compramos lá o famoso Sorotche Pils, comprimido para o mal das alturas.
Momento divertido da noite: as 21h30 todas as luzes foram apagadas, obrigando todo mundo a dormir. A mãe achou muito bom, pois estava bastante cansada e com dor de cabeça e havia muitos jovens conversando e jogando cartas, fazendo muito barulho. Pra quem tem muitas frescuras, vai uma informação: o banheiro é coletivo e misto e se quiser tomar banho quente, paga a parte. Notem que o nosso carro era o único 4×2, os demais são tipo Toyota Land Cruise, que levam até 6 pessoas, apertadas. Os guias bolivianos nos disseram que são poucos os loucos que passam por lá em carro não tracionados. Aí começamos a ficar preocupados. Boa noite então.












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