Nossa expedição pelo deserto da Bolívia continuou rumo à (finalmente) Laguna Colorada. Sem dúvida é a laguna mais bonita da região e existe um mirante, que fica perto de um posto de controle. Seu nome vem da cor das águas que tem um tom avermelhado. A paisagem é composta de vulcão, flamingos e lhamas. Realmente é um lugar lindo! Valeu o esforço e a teimosia do pai, que disse que para ele era a última oportunidade de conhecer estas lindas paisagens que ficarão em nossas lembranças para sempre e que se o preço fosse somente um carro estragado, ele pagaria para ver.

Café-da-manhã num dos alojamentos da Laguna Colorada

Simpática lhama que encontramos 🙂

Apesar de todos os avisos de que a partir deste ponto os caminhos iriam piorar, meu pai quis continuar pelo deserto em direção ao Salar de Uyuni, nossa próxima parada. Realmente, os caminhos ficavam cada vez pior. Nesta parte, era claramente necessário um 4×4. Na maior parte do caminho éramos apenas nós e as montanhas, pois os Toyotas bolivianos ou tinham ido por outro caminho ou já tinham nos passado. Esta parte do deserto tb. é conhecida como deserto de Salvador Dali.
No meio do caminho paramos na Árbol de Piedra, outro cartão postal da Bolívia, uma formação rochosa que parece uma árvore de pedra, por isso o nome. O local é muito legal, com várias outras formações rochosas onde é possível escalar e ter uma vista diferente e linda do deserto e suas cores majestosas. Observem a foto em que estou com os braços levantados e vejam as cores das montanhas ao fundo. Espetacular.
Seguindo adiante, deserto adentro, em um determinado momento, nosso carro perdeu força na hora de uma pequena subida e apagou. Esperamos um pouco e ele ligou, mas com um aviso no painel, indicando que era um problema na injeção eletrônica. Por sorte estávamos chegando num hotel, no meio do nada, da rede Tayka Del Desierto, chamado Ojo de Perdiz. Sabíamos de antemão que existia este hotel, o pai até pensou em dormir lá ao invés do alojamento em Laguna Colorada, mas achou um pouco caro. Fizemos uma parada estratégica para averiguar a situação e aproveitamos para fazer um bom lanche. O povoado mais próximo, Vila Alota, estava a 70km, o que levaria quase 3 horas para percorrermos com essa estrada.
Seguimos em frente, mas com um pouco de aflição. Se o carro apagasse no meio do deserto, não haveria ajuda. Não tinha sinal de celular, postos de combustíveis, nada. Estávamos por nossa conta e só podendo contar com ajuda de algum carro boliviano. O caminho se mostrou pior ainda. Muita pedra, muitos buracos, nenhuma sinalização. Por vezes, achei que iríamos ficar perdidos no deserto. Pra ajudar, o GPS indicou o caminho mais longo e em piores condições, mas só percebemos depois que já tinha ficado muito difícil de voltar. Pelo menos esse caminho era o mais bonito, pois passava por várias outras lagunas (Honda e Hedionda). Pra ajudar mais um pouco, o amortecedor traseiro esquerdo se foi e mais tarde o direito também. Seguimos adiante mesmo assim, não tinha o que fazer, mas com mais cuidado ainda, para não estourar a suspensão toda.
Paramos na Laguna Hedionda para nos informar. Vários outros jipes de agências turísticas param ali também para almoçar, inclusive existe um hotel. Segundo os guias, havia mais 10km de estrada ruim para chegarmos na rodovia principal (que não era asfaltada, mas melhor que o deserto).
Várias vezes passamos por bifurcações, dividindo o caminho em 2 ou 3. Enquanto isso, o GPS só mostrava um caminho. E agora? Fomos na sorte, apesar de que, na maioria das vezes, eram apenas desvios que depois chegavam no caminho certo.
Depois de muito sufoco (sim, foi estressante) e lindas paisagens, chegamos na rodovia, que liga Ollague a Uyuni. Saldo da brincadeira: amortecedores traseiros quebrados e o problema na injeção, que logo que começamos a andar mais rápido, consertou-se sozinho e não acusou problemas até o final da viagem. Ah, sim, também foi um péssimo ótimo passeio para comemorar o aniversário da mamãe Denise (23 de janeiro) muahahah 🙂
Mais uma etapa concluída, na realidade, a única que nos preocupava, pois o carro não era o mais apropriado. Mesmo assim, o pai achou que a Eco foi muito valente, só ocorrendo o problema nos amortecedores, mas estes ele ainda nunca havia trocado e já estavam com 70.000 km de uso. Com esta mesma camionete, já havíamos feito uma outra grande viagem para a Patagônia Argentina e Chilena, até Torres Del Payne, Ruta 40 e Carretera Austral e 10.800 km há 5 anos atrás. Valeu Eco!
Dica: enchemos o tanque de 55L em S.Pedro do Atacama e levamos mais 10l em um galão, que foi mais do que suficiente. Lá em S.Pedro nos disseram que tínhamos que levar 40l extras, mas o pai, teimoso que é, não acreditou, e tinha razão.
Chegamos em Uyuni por volta das 17h e ficamos hospedados no Hotel Oro Blanco. Simples e caro pelo o que oferecia, mas bem localizado…















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